
O maior ídolo da história do Atlético-MG deu uma alfinetada no novo contratado (reforço seria tentar prever o futuro improvável) da equipe. Sem perceber, Reinaldo insuflou aquilo que há de mais perene na vida do ex-atleta em tempos recentes. ´Montaremos uma roda de pagode´, disse. Disto, ninguém duvida.
O que se põe em questão é se Ronaldinho Gaúcho ainda desenvolve o esporte para o qual foi contratado. Não o pagode, nem as noitadas, mas atualmente ele parece viver em um samba romântico de Chico Buarque: Eu faço samba e amor a noite inteira, e tenho muito sono de manhã…
Kalil se atreveu a apostar as fichas na lata de lixo por uma aspiração grandiloquente de reerguer das trevas o clube que há muito amarga jejum de importância no cenário nacional. O Atlético foi sucateado esses anos todos, e manteve a torcida maltrada e revoltosa.
No entanto, essa mania de apiração ingênua tende a fazer o presidente cair novamente do cavalo. Não é a primeira vez que o mandatário se insurge de ganância na história recente. Basta lembrar o episódio em que demitiu Celso Roth e se postou sobre as lamas do caos, afirmando ser aquele um técnico pequeno para seu time. O deslumbramento lhe custou caro. Parecia um galinho garnizé que nunca teve chance de conquista esbanjando charme com penas adolescentes.
Contratou o igualmente empertigado Vanderlei Luxemburgo, e acabou brigando para não ser rebaixado mais uma vez. Enquanto isso, o outro, o descartado, funcional mas sem marketing, foi campeão da Libertadores da América dirigindo o Internacional, conquista ainda muito distante dos arredores preto e branco.
O que o presidente atleticano faz, pois não se deve afiançar essa responsabilidade à instituição e seus seguidores, é estender a mão a um pobre mendigo (no entanto, milionário), rejeitado por todos que passaram na rua, acreditando piamente, ou não, que as chagas se transformarão em metal valioso, e o lazarento ressuscitará das cinzas de farra e cerveja.
Rodas de pagode festejam em todo o país a distância do desafeto de gremistas, flamenguistas, colorados e outros tantos que não querem vê-lo nem com as tranças pintadas de ouro…
Raphael Vidigal
Veja também: As Empreguetes http://www.esquinamusical.com.br/as-empreguetes-cheias-de-charme-clipe-e-letra/




