
Nunca concordei com a execução sumária e em praça pública do artista Rafinha Bastos. Para mim, ele é, no máximo, um comediante de poucos recursos. O maior esconjuro que se pode pregar a tal diabo é chamá-lo de ´sem graça.´
Explico a ousadia de referendá-lo como artista no primeiro parágrafo. É que hoje em dia são muito tênues os limites entre gente de talento e celebridade, e eu não vou ficar aqui me desgastando a propor incompatibilidades. Cada um emprega o sentido mais próximo do que considera ou sabe.
A estréia do programa de inspiração norte-americana, com título alusivo a dia da semana em que supostamente seria transmitido, aqui no Brasil, como já foi de costume, acontece inversamente ao domingo. Mas esse delito, esse ato de distorção com relação a títulos é cada vez mais raro em terras tupiniquins.
Vem daí o acerto da atração, a falta de guarda arriada, pudores, respeito exacerbado. Falta, sim, mau comportamento, rebeldia, deboche, desestabilização da ordem, como já propunha Jim Morrison em idos bem mais caretas e tradicionais.
Mas é que o excesso de reverência faz-me pensar em gente por demasiada apegada a seriedades irrelevantes. Levar a vida a sério é a única piada de péssimo gosto com que constantemente ainda me deparo. Isso me parece vir de uma mentalidade consumista, preocupada em atribuir valor aos objetos mais desprezíveis.
Pois se nada tem valor, é tudo gratuito, inútil, despropositado, o que fazemos tentando enobrecer com honra e qualidades produtos tão baixos? A vida é assim, uma piada. Saibamos rir quando tiver graça, despejemos nossa petulante ignorância quando não…
Rafinha Bastos, é assim, mais um arauto do humor. Às vezes bom, muitas vezes, apenas ruim…fraquinho…como aquele café que não adoça nem com quilos de açúcar…por mais que ele queira ser ÁCIDO!
Raphael Vidigal
Veja também: Dona Flor e seus dois maridos http://www.esquinamusical.com.br/teatro-dona-flor-e-seus-dois-maridos/




